´╗┐
News
2012/10/29 - mat├ęria na FEA revista: JD, Arte para todos os gostos

ARTE PARA TODOS OS GOSTOS

Professor da FEA desenvolve projetos que vão da música à arquitetura

Professor do curso de Arquitetura da FEA-FUMEC, João Diniz revela que o ambiente em que nasceu talvez tenha sido o fator que mais contribuiu para que ele seja quem é hoje. Vindo de uma família de músicos, ele diz que sua casa sempre foi um ambiente cultural. Ao contrário de seus familiares, entretanto, tem conhecimento musical limitado, o que nunca chegou a ser problema para ele. “Eu sempre tentei fazer uma coisa muito autoral, pois, como não tinha o estudo formal da técnica, eu inventava. Quem não sabe inventa, e isso era bom, pois sempre foi um desafio para mim.” Sua paixão pela música lhe rendeu, recentemente, o CD Ábaco, obra que complementa um livro de mesmo nome, também lançado por ele no ano passado. “É um disco que vem de um livro de poemas. Mas não quer dizer que eu estou cantando as poesias, tem música que é só instrumental. Então é um projeto que completa o outro.”

Anos atrás, na época da faculdade, foi a fotografia que entrou em sua vida para nunca mais sair. João se apaixonou pelo fato de poder ver o mundo por detrás de uma lente. Ele conta que estar fotografando bastante na época do vestibular teve influencia direta para que optasse pela arquitetura. “Na fotografia, eu comecei a ver a questão dos espaços, enquadramentos, cortes, o que tem muito a ver com arquitetura. Então, optei pelo curso por causa da fotografia. Eu queria ver o mundo através da lente da câmera.” Como fotógrafo, João fez algumas exposições, e diz que pretende agora lançar um livro que case textos com fotografias das cidades por onde já passou. “Eu fiz algumas viagens internacionais, então aproveitei para fazer um livro com análises urbanas baseadas na arquitetura. O livro vai se chamar Cidades visíveis e terá um texto com características de fábula.”

Desde a faculdade, a arquitetura é a menina de seus olhos. Ele se formou em 1980, pela UFMG, e, daí em diante, seguiu com seus projetos, como o Residencial Gameleira e o Edifício Capri. Com o passar dos anos, teve seu trabalho reconhecido, sendo convidado a apresentá-lo em seminários. E foi em um que, em 1996, foi chamado pela professora de Arquitetura no curso de Engenharia, Maria Carmen, para participar da criação da Escola de Arquitetura da FUMEC junto com outros arquitetos da mesma geração.

João conta que a o convite foi irrecusável, pois a proposta do curso era inovadora: primava pela técnica e a prática da arquitetura, fugindo da questão acadêmica. Outro motivo que fez com que ele decidisse por iniciar a carreira de professor foi o fato de os demais membros do corpo docente serem seus amigos de longa data.

Na faculdade, ele foi convidado a lecionar a disciplina Arquitetura e sustentabilidade ambiental, assunto para o qual já atentava desde os tempos de faculdade, quando a questão ambiental passou a ser discutida, e ele escrevia alguns textos relacionados ao assunto. Como professor, realizou pesquisas sobre o tema, estabelecendo, inclusive, alguns passos para que uma construção possa ser considerada sustentável.

12 recomendações para arquitetura durável

Não se pode negar a importância que questões como sustentabilidade e ecologia ganharam nos dias de hoje. Atento a isso, João Diniz desenvolveu um trabalho em que elege 12 passos a serem tomados para que um projeto arquitetônico possa ser considerado sustentável. E se engana quem pensa que uma casa ecológica deve apresentar apenas conceitos futurísticos, como painéis que captam energia solar, ou ser uma obra de grande dispêndio econômico.

Na verdade, questões aparentemente simples, que passam, muitas vezes, despercebidas, podem fazer toda diferença quando o objetivo é projetar uma casa sustentável. Ações como o uso de materiais que pouco agridem o meio ambiente, ou ainda materiais de fácil reposição, passando por questões como a reciclagem dos resíduos e até mesmo o posicionamento da edificação no solo, ou ainda a posição que a obra ocupa, levando-se em conta a incidência da luz solar, são fatores que contribuem para que um projeto seja considerado construção sustentável.

Para o arquiteto João Diniz, não é necessário que se implantem os 12 conceitos para que a construção seja batizada de ecológica. “Um projeto que contemple três ou quatro dos tópicos já seria considerado uma obra sustentável”, explica Diniz. Porém, outros fatores também devem ser levados em conta na realização de um projeto. A questão ambiental é importante, mas existem também outras, como a estética, econômica, urbana e social. “Antes, havia uma pre- ocupação somente ambiental e depois se introduziram também as questões culturais, sociais e econômicas. Então, o que é realmente importante é a união desses tópicos.”

E é por esse pensamento que caminha o mais novo projeto de João Diniz. Ele, que nunca se negou a experimentar o novo, se vê agora diante de um projeto que, em sua opinião, representaria a perfeição no que diz respeito a uma obra ambientalmente engajada.

De sua autoria, o Casexp é o que João classifica como uma obra “tão per- 28 feita quanto uma árvore”. O projeto visa a utilizar as 12 recomendações desenvolvidas por ele e, assim, criar uma casa-conceito, que trabalha a questão dos espaços e da mobilidade, sem se esquecer do lado ambiental. “A ideia era fazer uma habitação leve, econômica, ecológica, transportável, questionando a questão da posse da terra, pois se pode alugar um terreno por um tempo, viver nele e, depois, sair de lá.”

O projeto também é fruto da inquietude de João, que demonstrou, por meio dele, a importância de se provocar e buscar solucionar questões que considera importantes. E, principalmente, fazer isso por iniciativa própria. “Foi um projeto espontâneo, ou seja, sem cliente. Às vezes, é bom pensar em coisas novas, em algo que você se propõe a fazer, sem esperar o pedido do cliente. Isso de se propor o que fazer, e de se colocar desafios, é uma tendência para o futuro.”

Fazendo da questão ambiental fator presente em seus projetos, ou ainda casando música, literatura e fotografia com sua arquitetura, João demonstra sua ousadia e seu desejo de experimentar. Ele se apropria da desconstrução proposta pela pós-modernidade para se tornar um autor de fronteiras maleáveis. Ao que parece, tornou-se difícil para ele pensar em todas essas disciplinas separadamente. Com uma naturalidade estranhável aos leigos, ele afirma ser possí- vel pensar em uma fachada de um prédio a partir de uma partitura musical. A impressão que se tem é que já não consegue mais separar a arquitetura da música ou da fotografia. Seu trânsito livre e harmônico por essas áreas faz com que a arquitetura, sua profissão de fato, seja apenas mais uma das coisas que ele realiza tão bem. Seja em qual dessas áreas for, ele diz que quer continuar criando, se provocando, pelos simples fato de exercitar o pensamento, sem se importar muito com o produto final. “Eu sou um autor. Um autor de qualquer coisa”, finaliza João Diniz.





´╗┐
João Diniz Arquitetura Ltda Av. Pasteur 89 / 809 Santa Efigênia 30150-290 |
Belo Horizonte / MG - Brasil | fone/fax 55 31 32366108 | escritorio@joaodiniz.com.br
Compartilhar