Textos
23 - Breve relato de muitas vidas por João Diniz / para exposição coletiva de arquitetura em Font Romeu, França 2009
texto de abertura da exposição coletiva de arquitetura em que JD participou apresentando sua obra, em Font Romeu, França em 2009

No ano 1500 as costas virgens da America do Sul
Foram descobertas por navegadores portugueses
Que fundaram o pais a ser conhecido como Brasil.
O cenário virgem de nativos dóceis e natureza pujante
Encantou os colonizadores com suas riquezas e surpresas.
Até os anos 1700 a colonização ocorreu nas faixas litorâneas,
Nasceram as primeiras cidades e uma economia atlântica
Baseada no extrativismo e intercâmbios com a Europa.

Nesta data a descoberta de ouro no interior do continente
Reposiciona os interesses comerciais e sociais,
A província meridional de Minas Gerais jorra fortunas.
Ocupa-se o interior e várias cidades aparecem com suas
Praças, palácios, casarios, igrejas, esculturas, sinfonias...
O artista mestiço Aleijadinho se destaca entre vários que
Refletem a pujança material nesta primeira manifestação
Da real civilização Brasileira: múltipla, contraditória e estridente.
 
Surgem do ouro as novas metrópoles da nação emergente:
Mariana, Sabará, Diamantina, São João Del Rey e Ouro Preto
A primeira capital, onde em 1792 o alferes Tiradentes comanda
O importante movimento libertário que evolui até 1822 ano da
Independência do Brasil, nasce uma nação e seus desafios.
A partir daí o ouro se desdobra em outras economias:
Gado, agricultura, siderurgia, industrias, são as novas fontes
Que redesenham o estado que em 1897 funda sua nova capital.
 
Belo Horizonte cidade positivamente e ortogonalmente planejada,
A equipe coordenada por Aarão Reis projeta a urbe do futuro
Razão geométrica sobre geografia sensual, o século XX nasce.
A cidade cresce e se torna importante centro econômico nacional
E também político, intelectual, cultural onde a geografia montanhesa
Sugere o caráter da população e de suas atitudes num misto de
Cautela, rebeldia, atenção, profundidade, discrição e sonho.
 
Nos anos 1940 o prefeito Juscelino Kubitschek convoca
O jovem arquiteto Oscar Niemeyer a criar  o conjunto da Pampulha
Marco histórico onde nasce a Arquitetura Moderna Brasileira
Reflexo de um pais jovem em busca de sua própria cultura,
Uma ampla geração de pensadores e criadores abre diálogo
Com suas origens radicais e com o vasto mundo circundante.
Nos anos 1970 vem de BH as primeiras revisões modernistas.

Uma nova vanguarda ciente e respeitosa dos passos anteriores
Busca novos valores numa nova arquitetura ao mesmo tempo
Moderna e popular, coerente e simbólica, universal e regional,
Tecnologicamente viável, ambientalmente correta  e expressiva.
Éolo Maia, Veveco Hardy e Cid Horta são nomes chaves
Neste posicionamento conhecido como pós-Brasília
À sua maneira fiel a uma tradição de contemporaneidade e risco.
 
Neste cenário nasci, cresci e me fiz arquiteto nos anos 1980 época de
Autoritarismo político, descobertas místicas, incursões multimídias,
Viagens iniciáticas, tempestades econômicas e reinvenções pessoais.
Os trabalhos apresentados nesta mostra resultam destas reflexões e dos
Choques entre a vontade de fazer e suas limitações, entre a busca de
Uma linguagem própria e o especifico de cada situação, entre o
Rigor tecnológico e o improviso de mutantes demandas, entre o
Ambientalmente sustentável e a urgência das necessidades, entre
A possibilidade dos momentos e uma busca da intemporalidade, entre
Um sotaque regional e a língua universal de um mundo interconectado.
 
A prática diária em meu escritório, empresa cada vez menor e mais ágil
Reúne a abordagem projetual de diferentes temas arquitetônicos a uma
Atividade acadêmica que facilita a reflexão téorica e novos encontros.
Um interesse multidisciplinar une esta arquitetura a experiências em
Música, literatura, fotografia, escultura, desenho, vídeo e espiritualidades.
A critica política, o inconformismo social, a solidariedade e o humor
Também são ferramentas para que possamos seguir caminho
Quiçá contribuindo para a construção da saúde e da beleza do planeta.
 
João Diniz, arquiteto MSc, Belo Horizonte, Brasil, Abril 2009 

    
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